Rua 25 de Março completa 160 anos de história

Parte importante do Circuito das Compras, a Rua 25 de Março é um dos principais corredores comerciais do país. Hoje, 29 de novembro de 2025, marca seus 160 anos de existência. 

A via recebeu sua denominação atual em 28 de novembro de 1865, quando a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a mudança de nome da antiga Rua de Baixo. O novo nome foi escolhido para homenagear a primeira Constituição brasileira, outorgada por Dom Pedro I em 25 de março de 1824.

O processo de formação da região iniciou no século XIX, quando o Rio Tamanduateí ainda corria pela área. Às margens do rio funcionava o Porto de São Bento, posteriormente conhecido como Porto Geral, que deu origem à ladeira que desce até a rua. As enchentes frequentes levaram à alteração do leito do rio em meados do século XIX, possibilitando a ocupação mais efetiva da região.

Em 1859, a Câmara Municipal decidiu criar uma praça de mercado na área, no fim da Rua Municipal, próximo à Ponte do Carmo e ao Porto de São Bento. O local onde hoje fica a 25, era conhecido anteriormente como Beco das Sete Voltas, denominação que refletia o traçado sinuoso que acompanhava o Rio Tamanduateí.

Um Ato Municipal de 1916, formalizou a inclusão da Rua 25 de Março no mapa oficial da cidade, sob a gestão do prefeito Washington Luiz. O primeiro mercado municipal paulistano funcionou na região entre 1867 e 1933, localizado entre a atual 25 de Março e a Rua General Carneiro. Denominado Mercado Grande ou Mercado dos Caipiras, o estabelecimento era muito precário em suas instalações.

A ocupação comercial da área consolidou-se com a chegada de comerciantes que se estabeleceram na parte baixa da cidade, junto ao Tamanduateí. A região sofria com inundações seguidas, mas tornou-se ponto de concentração de atividades mercantis. No final do século XIX, a rua já contava com aproximadamente 500 estabelecimentos comerciais.

A imigração síria e libanesa marcou profundamente o desenvolvimento da 25 de Março. Em 1904, a comunidade ergueu a Paróquia Ortodoxa Antioquina da Anunciação, na antiga Rua Itobi. Entre os primeiros estabelecimentos destaca-se a Nami Jafet e Irmãos, loja aberta em 1893 pela família libanesa que posteriormente fundaria a Fiação, Tecelagem e Estamparia Ypiranga Jafet em 1907.

O comércio de tecidos predominou na rua durante décadas. Nos anos 1940, anúncios em jornais registravam dezenas de estabelecimentos têxteis ao longo da via. A Casa Allemã, fundada em 1883, representava o comércio de origem alemã, vendendo artigos de porcelana, roupas de cama e bijuterias. Durante a Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento enfrentou pressões e mudou de nome para Galeria Paulista de Modas, funcionando até 1959.

A década de 1920 trouxe desafios significativos. Em julho de 1924, durante bombardeios federais à cidade, a região sofreu saques e incêndios. O Mercado da Rua 25 de Março foi incendiado, e diversos estabelecimentos sofreram danos. A Associação Comercial de São Paulo mobilizou-se para auxiliar os desabrigados, em campanha liderada por José Carlos de Macedo Soares.

Até a estrutura da rua mudou ao longo das décadas. Até os anos 1930, comerciantes residiam com suas famílias nos andares superiores dos estabelecimentos. Posteriormente, esses espaços foram convertidos em depósitos, enquanto as famílias migraram para bairros como Vila Mariana e Paraíso. A rua dividia-se em três regiões distintas: próximo à Praça da Sé concentravam-se vendedores de aves; na esquina com a General Carneiro estabeleceram-se atacadistas de tecidos; na direção do Anhangabaú predominavam lojas de cortinas.

 

O perfil comercial diversificou-se a partir da segunda metade do século XX. Dos tecidos e armarinhos, a rua passou a oferecer brinquedos, bijuterias, decoração, eletroeletrônicos e produtos variados. A chegada de imigrantes chineses nas últimas décadas ampliou ainda mais o leque de mercadorias. Atualmente, a região compreende 17 ruas, com 3.800 lojas, sendo 1.100 somente na 25 de Março. Elas geram 30.000 empregos diretos.

Uma curiosidade é que, em 2007, a Rua 25 de Março foi eleita uma das Sete Maravilhas Paulistanas em votação organizada pelo portal UOL e pela rádio BandNews FM. 

Atualmente, seu movimento diário atinge 200.000 pessoas durante a semana e pode chegar a 800.000 aos sábados. A expressão "vou na 25" popularizou-se como símbolo de comércio popular, atraindo compradores de todo o país e do exterior.

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